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Perda de efetividade das doses de reforço de vacinas mRNA após esquema primário de Coronavac ou ChadOx1 (Astrazeneca) contra infecções sintomáticas e formas graves da Covid-19 grave no Brasil e na Escócia: um teste negativo de de caso-controle


Autoria:


Thiago Cerqueira-Silva, MD, Syed Ahmar Shah, Chris Robertson, Mauro Sanchez, Srinivasa Vittal Katikireddi, Vinicius de Araujo Oliveira, Enny S. Paixão, Prof. Igor Rudan, Juracy Bertoldo Junior, Gerson O. Penna, Prof. Neil Pearce, Prof. Guilherme Loureiro Werneck, MD, Prof. Mauricio L. Barreto, Prof. Viviane Boaventura, Prof. Aziz Sheikh, Prof. Manoel Barral-Netto

Publicado em:


14/04/2022

Destaques:


  • Dados comparativos do Brasil e da Escócia sobre a duração da proteção após a administração do reforço da vacina mRNA durante o período da onda Omicron de Covid-19.

  • Foram relatadas evidências consistentes de diminuição substancial da proteção das vacinas contra infecção sintomática devido à variante Omicron.

  • Até onde sabemos, este é o maior estudo até o momento (4.653.517 testes de 4.590.259 indivíduos) com o acompanhamento mais longo (>13 semanas) para investigar a diminuição da eficácia vacinal dos reforços de mRNA durante o período em que a variante Omicron era dominante.

  • A pesquisa sugere proteção moderada e de curta duração contra infecção sintomática e proteção forte e mais substantiva contra desfechos graves com reforço vacinal de mRNA, mas com evidências de diminuição da eficácia vacinal entre idosos ao longo do tempo.

  • A vacina de reforço de mRNA promoveu proteção contra desfechos graves durante a onda Omicron por, pelo menos, três meses.

  • A proteção contra infecção sintomática é efêmera, indicando que as vacinas aqui avaliadas provavelmente não controlarão efetivamente a infecção na comunidade.

Resumo:


  • Avaliar a extensão e a duração da proteção contra infecção sintomática associada ao Omicron e desfechos graves (ou seja, hospitalização e morte por Covid-19) após uma dose de reforço de mRNA em indivíduos de diferentes faixas etárias que receberam BNT16b2 ou ChAdOx1 para sua série primária de vacinação.

  • Usando um desenho teste-negativo, analisamos bancos de dados nacionais para estimar a eficácia da vacina de uma série primária (com ChAdOx1 ou BNT162b2) mais um reforço de vacina de mRNA (com BNT162b2 ou mRNA-1273) contra infecção sintomática por SARS-CoV-2 e desfechos graves de Covid-19 (hospitalização ou morte) durante o período de dominância do Omicron no Brasil e na Escócia. Também estratificamos as análises por idade e série primária de vacina.
  • De duas até quatro semanas após o reforço vacinal de mRNA, a eficácia vacinal das vacinas ChAdOx1 ou BNT162b2 mais um reforço de mRNA contra infecção sintomática por SARS-CoV-2 foi de 42,3% no Brasil e 53,4% na Escócia

  • A eficácia vacinal diminuiu para 5,4% no Brasil e 29,2% na Escócia para casos de infecção sintomática a partir de 13 semanas após a administração da dose de reforço.

  • A eficácia vacinal contra desfechos graves no Brasil foi de 89,8% de duas a quatro após reforço vacinal, diminuindo para 80,2% a partir de 13 semanas.

  • Na Escócia, a eficácia vacinal foi de 81,8% para 75,8% durante o mesmo período.

  • No Brasil, indivíduos a partir de 65 anos apresentaram diminuição da eficácia vacinal de 83,1%, de duas a quatro semanas após a administração da dose de reforço, para 76,9% a partir de 13 semanas.

  • Os reforços de vacinas mRNA após um esquema de vacinação primária com vacinas de mRNA, ou de vetor viral, forneceram proteção substancial e mais sustentada contra desfechos graves de Covid-19 por pelo menos 13 semanas;

  • Há moderada proteção contra infecção sintomática no período de 2 a 4 semanas depois da administração do reforço vacinal, que diminuiu substancialmente para a proteção negligente a partir da 13ª semana;

  • Os reforços de vacinas mRNA após um esquema de vacinação primária com vacinas de mRNA, ou de vetor viral, forneceram proteção modesta e de curta duração contra infecção sintomática com Omicron;

  • Indivíduos mais velhos apresentaram diminuição da eficácia vacinal mais rápido do que os mais novos;

  • Apenas indivíduos a partir de 65 anos apresentaram uma diminuição significativa de proteção contra desfechos severos no mesmo período;

  • A diminuição da eficácia vacinal foi encontrada de forma semelhante para todas as idades para casos de infecção sintomática;

  • Os resultados sugerem a necessidade de uma terceira dose para induzir anticorpos com atividade neutralizante contra Omicron ao longo do tempo;

  • Observamos pouco declínio da proteção contra desfechos graves no período Omicron;

  • Uma quarta dose parece aumentar a proteção contra desfecho grave, mas não contra infecção em indivíduos com idade a partir de 60 anos;

  • Indivíduos mais velhos correm maior risco de sofrer resultados graves após a infecção com a variante Omicron, mesmo após receber um reforço vacinal;

  • Dados indicam que a prevenção da infecção e, portanto, a proteção comunitária, podem não ser um objetivo realista com as vacinas atualmente disponíveis.


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